Aafke Romeijn – Niet vandaag

Ik ga bij oma op bezoek, ik ben al lang niet geweest, regels slingers en taart, en geef een heel groot feest. Ik betaal al m’n boetes van toen ik te hard reed, en verbeter mezelf op tijd, maar niet vandaag. Alles wat ik kan, doe ik, maar niet vandaag.
Vou visitar minha avó, não a vejo há muito, arranjo guirlandas e bolo, e lhe faço uma festa. Eu pago minhas multas de quando dirijo muito rapidamente, e me melhoro com o tempo, mas não hoje. Tudo o que posso fazer, fá-lo-ei, mas não hoje.

Ik heb het antwoord op vragen die beginnen met een Q, en ik weet alles van oorlog en spinnen, maar niet nu. Ik weet wel honderd miljoen plekken voor een ansichtkaart, ben zo iemand die nooit iets vergeet, maar niet vandaag. Alles wat ik kan, doe ik, maar niet vandaag.
Eu tenho as respostas das questões que começam com Q, e eu sei tudo sobre guerra e spinning, mas não agora. Eu sei de centenas de milhares de lugares para um cartão postal, sou do tipo de pessoa que não se esquece, mas não hoje. Tudo o que posso fazer, fá-lo-ei, mas não hoje.

Vandaag duurt een week, en ik kan niks beloven, wanneer het morgen wordt, maar niet vandaag. Alles wat ik kan, doe ik, maar niet vandaag.
Hoje dura uma semana, e eu não posso prometer nada, quando for amanhã talvez, mas não hoje. Tudo o que posso fazer, fá-lo-ei, mas não hoje.

BLØF – Zoutelande

Niets is beter dan met jou de kou trotseren, er zijn mensen die naar warme landen emigreren, maar we hebben geen geld in onze koude handen, dus we gaan maar naar je ouders in Zoutelande, en dan zitten we hier in het oude strandhuis, wat je vertelt houdt me nuchter en warm. Boven m’n hoofd zie ik de grijze wolken, ik ben blij dat je hier bent.
Nada é melhor que enfrentar o frio contigo, há pessoas que emigram para terras mais quentes, mas não temos dinheiro em nossas mãos frias, portanto vamos aos teus pais em Zoutelande, e então nos sentamos aqui nesta velha casa de praia, e o que me dizes me mantém sóbrio e aquecido. Sobre a minha cabeça vejo as nuvens gris, estou feliz por cá estares.

Wij zitten hier in het gammele strandhuis, maakte me toch al nooit uit waar we waren. We verzuipen onszelf in de drank van je vader, ik ben blij dat je hier bent. Niets is mooier dan met jou het land doorkruisen, op mistroostige plekken je bij me te hebben, en te zien dat het goed is, ziet dat we bruisen, en met wodka en met bokking tussen reddingsbanden.
Cá nos sentamos nesta frágil casa de praia, fazendo-me nunca pensar sobre onde estávamos. Afogamo-nos nas bebidas de teu pai. Estou feliz por cá estares. Nada é mais belo que cruzar o país contigo, ter-te contigo até em lugares sobrios, e ver que estamos bem, que vibramos, com vodca e pneus cantando.

Ik ben blij dat je hier bent, in Zoutelande.
Estou feliz por cá estares, em Zoutelande.

Sufjan Stevens – Mystery of love

Oh, to see without my eyes the first time that you kissed me, boundless by the time I cried. I built your walls around me. White noise, what an awful sound fumbling by Rogue River. Feel my feet above the ground. Hand of God, deliver me.
Oh, ver sem meus olhos a primeira vez em que me beijaste, irrestrito pelo tempo eu chorei. Construí teus muros ao meu redor. Ruído branco, que som feio desajeitado pelo Rio Velhaco. Sente meus pés acima do solo. Mão de Deus, entrega-me.

Oh, woah woe is me, the first time that you touched me. Oh, will wonders ever cease? Blessed be the mystery of love.
Oh, uau o infortúnio sou eu, a primeira vez em que me tocaste. Oh, acabar-se-ão algum dia as maravilhas? Bendito seja o mistério do amor.

Lord, I no longer believe, drowned in living waters, cursed by the love that I received from my brother’s daughter. Like Hephaestion, who died Alexander’s lover. Now my riverbed has dried, shall I find no other?
Senhor, não mais o creio, afogado em águas viventes, amaldiçoado pelo amor que recebi da filha de meu irmão. Como Hefaísto, que morreu amante de Alexandre. Agora o leito do meu rio secou, não mais outro encontrarei?

Oh, woah woe is me, I’m running like a plover, now I’m prone to misery, the birthmark on your shoulder reminds me.
Oh, uau o infortúnio sou eu, corro como uma tarambola, agora tendo à angústia, a marca de nascença em teu ombro mo lembra.

How much sorrow can I take? Blackbird on my shoulder. And what difference does it make when this love is over? Shall I sleep within your bed? River of unhappiness, hold your hands upon my head till I breathe my last breath.
Quanta tristeza posso ter? Pássaro negro no meu ombro. E que diferença faz quando este amor acabar? Deverei eu dormir em tua cama? Rio de infelicidade, segurar as tuas mãos sobre a minha cabeça até que eu respire meu último suspiro.

Oh, woah woe is me, the last time that you touched me.
Oh, uau o infortúnio sou eu, a última vez que me tocaste.

Aafke Romeijn – Licht aan

‘t Heeft lang geduurd, ik was alweer bijna vergeten, dat alles weer groen wordt als je maar wacht. Het is oké, ik begrijp het wel, alles kost tijd, zoveel te doen, kom nou maar hier.
Levou muito tempo, eu quase me esquecera que tudo se torna verde se o esperarmos. Está bem, entendo-o bem, tudo leva tempo, há muito o que fazer, mas agora vem cá.

Gooi maar wat goud op m’n hoofd, en ook wat in de bomen, alles danst, alles leeft als je bent geweest. Laat de vogels maar komen, alles staat klaar. Jas uit, deur uit, ogen weer dicht, en ik ga. Het licht is aan.
Joga um pouco de ouro sobre a minha cabeça, e também sobre as arvores, tudo dança, tudo vive como se já houvesse sido. Mas deixa que os pássaros venham, tudo está pronto. Jaqueta para fora, porta afora, olhos fechados novamente, e eu vou. A luz está acesa.

Kamers, planten, alles kan weer naar buiten, nog een ijsthee, is het alweer zo laat? Tijd is geld, maar niet als de zon schijnt, want dan is alles vloeibaar als ijs, en alles smelt, ook je koude hoofd, als opeens alle ruimte voor je wordt gemaakt.
Quartos, plantas, tudo pode ir para fora novamente, um outro chá gelado, ou já seria outra vez muito tarde? Tempo é ouro, mas não quando o sol está brilhando, porque então tudo se funde como gelo, e tudo derrete, até tua cabeça fria, repentinamente assim como para ti todo o espaço se abre.

Vaiana – Ik ben Vaiana

Waroom twijfel je?
Por que hesitas?

Ik weet ‘t niet.
Não o sei.

Ik ken een prachtig mooi meisje. Ze voelt zich soms wat alleen, maar zij houdt wel van haar eiland, haar ouders en iedereen. Al lijkt de wereld soms lastig, met reizen vol grauw gevaar, maar ook gevaar vormt het leven, da’s ech waar. Wat hebt geleerd zit in je, de liefde van mensen leidt je. En altijd, en altijd hoor je, die stille stem, met hem strijk je, en als die stem in je fluistert: Vaiana, je kwam zo ver. Vaiana, luister, zeg mij dan, ben je klaar?
Eu conheço uma bela garota, às vezes ela se sente só, mas ela estima muito sua ilha, sua família e todos os demais. Apesar de o mundo poder parecer complicado, com jornadas em tempestades gris e perigosas, ele também nos dá forma à vida, esta é a verdade. O que aprendeste permanece em ti, o amor das pessoas te guia, e tu sempre. Tu sempre a ouves, aquela voz silenciosa, ela te acompanha, e em seu silêncio ela te sussurra: Moana, vieste tão longe. Moana, oiça, diz-me então, estás pronta?

Ben ik klaar?
Estou pronta?

Ik hou zo veel van m’n eiland, maar ik hou ook van de zee, ik hoor haar. Ik ben de dochter van de chef van ‘t dorp, we waren zeevaarders, lang geleden. Ze trokken heel de wereld rond, ik hoor ze. Ik ben hier gekomen waar we zijn, ver voorbij het einde. Deze reis was niet alleen voor mij, en ik hoor het.
Amo tanto minha ilha, mas também amo o mar, eu o oiço. Sou a filha do chefe da tribo, nossos ancestrais exploradores, há muito. Viajavam ao redor do mundo, eu os oiço. Vim aqui onde estamos, longe além do fim. Esta jornada não foi feita só para mim, e a oiço.

Voor verlangen al lang niet meer bang, het zit in mij. Als het getij en als de seizoenen, en ik luister nu echt naar m’n hart, diep vanbinnen, want mijn hart zegt: ik weet de weg. Ik ben Vaiana.
Há muito não mais temo meu chamado, ele está em mim. Como as marés e as estações, e agora o ouço chamando do fundo do meu coração, porque ele me diz: eu sei o caminho. Eu sou Moana.

Pieter Embrechts – Tweegevecht

De engel zegt: ‘ziet’, en de duivel zegt: ‘dans’. De engel ziet: ‘niets’, en de duivel: ‘een kans’. Ik ken ze beiden wel, ze vechten om m’n vel. De engel zegt: ‘denk’, en de duivel zegt: ‘doe!’. De engel wil eer, en de duivel wil poen.
O anjo diz: ‘vê’, e o diabo diz: ‘dança’. O anjo diz: ‘nada’, e o diabo diz: ‘uma chance’. Eu os conheço, eles lutam pela minha pele. O anjo diz: ‘pensa’, e o diabo diz: ‘faz!’ O anjo quer honra, o diabo quer grana.

Ik ken ze allebei, ze vechten hier in mij. Zal ‘t ooit overgaan dit tweegevecht? Om alle dagen van mijn bestaan ‘t is onbeslecht, en zal er ooit een winnaar zijn? Gaat het voorbij, die engel en duivel zijn een deel van mij.
Eu os conheço, eles lutam aqui em mim. Será que este duelo um dia acabará? Há um conflito a cada dia da minha existência, quem sairá um dia vencedor? Deixa para lá, o anjo e o diabo são uma parte de mim.

De engel is trouw, en de duivel bedriegt. De engel zegt de waarheid, en de duivel die liegt. Maar ‘t is een postuur, en de engel die viel, de engel houd maat. En de duivel wil meer, nog, nog, nog en daarna nog eens een keer. De engel daalt neer, en wie was ik ook weer?
O anjo é fiel, o diabo é enganador. O anjo diz a verdade, e o diabo é quem mente. Mas é uma postura, e o anjo que caiu mantém a sua. E o diabo quer mais, e mais, mais, mais, e ainda outra vez. O anjo então descende, e agora, quem sou eu?

Maar alles wat verboden is, dat wil ik toch juist doen, en als ik onder de zoden lig, dan is ‘t voorbij de tijd vandoen.
Mas tudo é proibido, e eu quero fazer o que é certo, e se eu acabar sob o solo, então o tempo de fazer as coisas já se haverá esgotado.

Amir – J’ai cherché

J’ai cherché un sens à mon existence, j’y ai laissé mon innocence, j’ai fini le cœur sans défense; j’ai cherché l’amour et la reconnaissance, j’ai payé le prix du silence, je me blesse et je recommence. Tu m’as comme donné l’envie d’être moi, donné un sens à mes pourquoi; tu as tué la peur qui dormait là, qui dormait là dans mes bras.
Busquei o sentido de minha existência, leixei nessa busca a minha inocência, acabei com o coração indefeso; busquei o amor e o reconhecimento, paguei o preço do silêncio, firo-me e recomeço. Tu me deste como uma vontade de ser eu, deste um sentido a meus porquês; mataste o medo que lá dormia, que dormia lá em meus braços.

You’re the one that’s making me strong, I’ll be looking for you like the melody of my song.
És quem me fortifica, procurar-te-ei como a melodia de minha canção.

J’ai cherché un sens, un point de repère partagé en deux hémisphères, comme une erreur de l’univers; j’ai jeté tellement de bouteilles à la mer, j’ai bu tant de liqueurs amères que j’en ai les lèvres de pierre. Au gré de nos blessures, et de nos désinvoltures, c’est quand on n’y croit plus du tout qu’on trouve un paradis perdu en nous.
Busquei um sentido, um ponto de referência dividido em dois hemisférios, como um erro do universo; joguei tantas garrafas ao mar, bebi tantos licores amargos que tenho agora os lábios de pedra. No decorrer de nossas mágoas e de nossas desenvolturas, é quando não mais nelas cremos que encontramos um paraíso perdido em nós.

Josef Salvat – Une autre saison

We used to have it all planed, we thought we knew what all looked like, we were looking out on the greatest view.
Costumávamos ter tudo planejado, pensávamos que sabíamos como tudo seria, estávamos olhando pelo melhor lado.

On n’a pas vu les limites, on n’a pas vu qu’on allait trop vite. Nous voilà devant l’inconnu. Et on file à des années lumières de tout ce qui nous retenait hier. Seul dans la nuit, on est seuls dans la nuit. On n’a jamais voulu changer de route, tous les chemins ne nous menaient qu’à des doutes, pas à Rome. Regarde où nous sommes.
Não vimos os limites, não vimos que íamos muito rapidamente. Cá estamos ante o desconhecido. E seguimos a anos luz de tudo o que nos prendia ontem. Sozinho à noite, estamos sós na noite. Jamais quisemos mudar de rota, todos nos caminhos não nos levavam que a mais dúvidas, e não a Roma, vê onde estamos.

C’est une autre saison qui nous faudrait pour de bon pour repartir, mon amour. Le cœur moins lourd. Juste une autre saison, juste une autre bonne raison de changer d’avis et de pot. De laisser l’amour nous prendre au mot.
É uma outra temporada que nos seria necessária para partirmos novamente, meu amor. O coração menos pesado. Apenas outra estação, apenas uma outra boa razão para mudarmos de opinião e molde. De deixar que o amor nos faça seguir como o planejado.

So I’ll be needing you, and I know you’d be needing me too. We’re in this game together, and I believe in you, and I know you believe in me too.
Então eu precisarei de ti, e sei que precisarás de mim também. Estamos juntos neste jogo, e creio em ti, e sei que crês em mim também.

Je me revois dans le rétroviseur, j’entends la voix des jours meilleurs. On a beau faire les morts, foncer tout droit dans le décor, on se perd, on n’y peut rien, on le prend un peu comme ça vient. Fallait-il qu’on s’aime encore.
Vejo-me no retrovisor, escuto a voz de dias melhores. É inútil nos fazermos de mortos, de nos jogarmos de cabeça nas minúcias, perdemo-nos nelas e não podemos fazer mais nada, lidamos com as coisas meio que como elas nos vêm. Seria preciso que nos amássemos novamente.

We’re only at the start.
Estamos apenas no começo. Continue reading “Josef Salvat – Une autre saison”

Sufjan Stevens – Death with dignity

Spirit of my silence, I can hear you, but I’m afraid to be near you, and I don’t know where to begin. Somewhere in the desert there’s a forest, and an acre before us, but I don’t know where to begin.
Espírito do meu silêncio, posso te ouvir, mas temo estar perto de ti, e não sei por onde começar. Nalgum lugar do deserto há uma floresta, e um acre ante a nós, mas não sei por onde começar.

Again I’ve lost my strength completely, be near me, tired old mare with the wind in your hair. Amethyst and flowers on the table, is it real or a fable? Well, I suppose a friend is a friend, and we all know how this will end.
Novamente perdi toda a minha força, fique perto de mim, égua velha cansada com o vento no teu cabelo. Ametista e flores na mesa, isto é realidade ou uma fábula? Bem, suponho que um amigo é um amigo, e todos sabemos como isto acabará.

Chimney swift that finds me, be my keeper; silhouette of the cedar. What is that song you sing for the dead? I see the signal searchlight strike me in the window of my room; well, I got nothing to prove.
Chaminé fugaz que me encontra, seja minha mantenedora; silhueta do cedro. Qual é aquela canção que cantas aos mortos? Vejo sinal da luz de busca me atingir na janela do meu quarto; bem, não tenho nada a provar.

I forgive you, mother, I can hear you, and I long to be near you, but every road leads to an end. Your apparition passes through me in the willows: five red hens, you’ll never see us again.
Perdoo-te, mãe, posso te ouvir, e quero estar perto de ti, mas toda estrada leva a um fim. Tua aparição passa por mim nos salgueiros: cinco galinhas vermelhas, nunca nos verás novamente.

程璧 – 我想和你虛度時光

我想和你虛度時光比如低頭看魚,比如把茶杯留在桌子上,離開。 浪費它們好看的陰影。
Eu quero passar meu tempo contigo olhando para os peixes, deixando uma xícara de chá sobre a mesa, partindo. Deixando suas belas sombras.

我還想連落日一起浪費,比如散步一直消磨到星光滿天。 我還要浪費風起的時候坐在走廊發呆,直到你眼中烏雲, 全部被吹到窗外。
Eu também gostaria de passar um pôr-do-sol caminhando em direção aos céus. E também quero me sentar numa varanda, olhando para o nada enquanto o vento sopra, até que as nuvens negras dos seus olhos sejam sopradas janela afora.

我已經虛度了世界,它經過我,疲倦,又像從未被愛過。 但是明天我還要這樣,虛度。 滿目的花草生活應該像它們一樣美好, 一樣無意義,像被虛度的電影。
Eu já passei pelo mundo, ele passou por mim, cansado, como se nunca houvesse sido amado. Mas amanhã eu quero que seja assim, sem fazer nada. Todas as plantas deveriam viver como se fossem igualmente belas, igualmente importantes, como se registradas em um filme.

比如靠在欄杆上,低頭看水的鏡子, 直到所有被虛度的事物, 在我們身後長出薄薄的翅膀。 我想和你互相浪費, 一起虛度短的沉默長的無意義。一起消磨精緻而蒼老的宇宙。
Em um corrimão, olho para baixo para um espelho d’água, passando o tempo até que todas as coisas fiquem para trás, e nas nossas costas finos brotos apareçam. Eu quero que passemos tempo juntos, juntos num silêncio que cresce em sua falta de sentido. Que passemos tempo juntos por este universo velho e delicado.

Fréro Delavega – Le chant des sirènes

Enfants des parcs, gamins des plages. Le vent menace les châteaux de sable façonnés de mes doigts. Le temps n’épargne personne hélas. Les années passent, l’écho s’évade sur la Dune du Pilat. 
Filhos dos parques, meninos das praias. O vento ameaça os castelos de areia feitos por meus dedos. Ora, o tempo não poupa ninguém. Os anos passam, o eco se evade sobre a Duna do Pilat.

Au gré des saisons, des photomatons; je m’abandonne à ces lueurs d’autrefois. Au gré des saisons, des décisions, je m’abandonne.
Ao passar das estações, das cabines fotográficas; eu me abandono a estes luares de outrora. Ao passar das estações, das decisões, eu me abandono.

Quand les souvenirs s’en mêlent, les larmes me viennent, et le chant des sirènes me replonge en hiver. Oh mélancolie cruelle, harmonie fluette, euphorie solitaire.
Quando as memórias se mesclam, as lágrimas me vêm, e o canto das sereias me mergulha no inverno. Oh melancolia cruel, harmonia débil, euforia solitária.

Combien de farces, combien de frasques; combien de traces, combien de masques avons-nous laissé là-bas ? Poser les armes, prendre le large. Trouver le calme dans ce vacarme avant que je ne m’y noie.
Quantas farsas, quantos frascos; quantos traços, quantas máscaras leixamos lá? Baixar a guarda, afastar-se. Encontrar a paz nesta algazarra antes que nela eu me afogue.

Louane – Jour 1

Jour un, amour numéro un. C’est l’amour suprême, dis moi que tu m’aimes. Je veux un jour numéro deux. Une suite à l’hôtel, supplément mortel.
Dia um, amor número um. É o amor supremo, diz-me que tu me amas. Eu quero um dia número dois. Uma suite num hotel, suplemento mortal.

Je t’ai regardé toute la nuit. Danser sur mon âme n’est plus permis. Neuf Jours, la vie c’est du velours; et l’éternité, une nécessité.
Eu te olhei toda a noite. Dançar sobre minha alma não é mais permitido. Nove dias, a vida é um veludo; e a eternidade, uma necessidade.

Jour dix, variation du délice, que voudrais-tu faire ? Une ballade en mer. Chaque jour, dépendance à l’amour, pas de danse autour.
Dia dez, variação da delícia, o que gostarias de fazer? Uma balada no mar. Cada dia, dependência ao amor, sem danças ao redor.

C’est le jour un, celui qu’on retient. Celui qui s’efface quand tu me remplaces, quand tu me retiens, c’est celui qui revient.
É o dia um, o que retemos. O que se apaga quando me trocas, quando tu me reténs, é o que revém.

Cent jours, si c’était un jour sans, sans en avoir l’air de l’orage dans l’air. Jour mille, t’as touché dans le mile, et sans térébenthine cachée dans la poitrine. Chaque jour, dépendance à l’amour, pas de danse autour.
Cem dias, se fosse um dia sem, sem parecer que há um quê de tempestade no ar. Dia mil, tocaste na milha, e sem terebintina escondida no peito. Cada dia, dependência ao amor, sem dança ao redor.